¿O que são as redes solidárias?

Uma sociedade que rompe vertiginosamente seus laços solidários interpela aos cristãos a reencontrar sua vocação de ser "pescadores de homens" (Mt 4,19).

Assim é próprio nosso criar uma rede humana que graças a sua intercomunicação constitua uma malha na qual possam se amparar os mais necessitados, os "excluídos".

Esta "rede humana" utiliza no seu funcionamento o elemento mais dinâmico e poderoso da sociedade moderna: o conhecimento. Assim aquelas pessoas (cristãos ou não) que aderem a objetivos concretos (que contêm profundo valor cristão e por sua vez não são estranhos à vida cotidiana dessa pessoa), dão seus dados pessoais, seu esforço de trabalho, oferecendo um tempo de seu trabalho habitual no qual podem ser consultados ou podem ajudar a um necessitado, acolhendo esse caso como próprio (solidariamente).

Em contrapartida, essa pessoa recebe os dados daqueles que compartilham seu mesmo papel social e que têm aderido também a esta rede, aos quais pode solicitar a mesma ajuda com o mesmo grau de compromisso. Este intercâmbio de conhecimento orientado para a solidariedade gera uma dinâmica de "crescimento e adesão permanente" pois:

É útil para o próprio membro da rede, já que se alguma vez pode ajudar com seu saber especializado, tem dezenas de outras especializados aos quais pode pedir ajuda (pense num especialista medico que tem um paciente sobre o qual tem dúvidas).

Ao compartilhar conhecimento e tarefas naturalmente os membros agregam os meios informáticos de que dispõem (a rede se ‘informatiza' e se comunica pelo correio eletrônico). Isto permite agregar eficiência e velocidade de comunicação moderna, além de estabelecer um ‘diálogo' humano.

Porém estas redes são muito mais que uma "internet de bem", são "redes humanas" (assim, independentemente de haver um computador ou não, cada membro tem um folheto com todos os dados dos membros) na qual cada pessoa é protagonista, elaborando as soluções para o caso solicitado em qualquer lugar onde se encontre.

Seu funcionamento no só não encontra resistência na "ética indolor" do homem moderno senão que solvente resulta atraente. Este ponto vital requer uma pequena explicação;

Esta "sociedade pós-moralista" contem várias faces. É verdade que se encontra generalizado o repúdio do dever entendido como sacrifício de interesse pessoal em benefício do outro, não é menos certo que é permeável à "inteligência responsável" e a um "humanismo aplicado" (a campanha ecológica e Anistia Internacional são bons exemplos) sempre e quando seja concreto e não modifique o "statu quo" da rotina do aderente.

O trabalho numa "rede solidária" se baseia em aplicar responsavelmente a inteligência. Realiza-se em âmbitos nos quais o membro se desenvolve habitualmente. São ações concretas que geram benefícios imediatos e não se prolongam no tempo.

Porém como "valor agregado", estando essas ações dirigidas a uma pessoa concreta , necessitada de ajuda (dirigida ao "próximo") e em colaboração com outros colegas (muitos deles, além do mais com profunda vivência eclesial) se transformam em experiência de vida cristã e num momento de encontro para dialogar sobre a fé em Deus.

Outro ponto muito importante é que quando se faz conhecer sistematicamente o funcionamento e composição das "Redes" entre os agentes de pastoral que trabalham com os mais necessitados (os ‘excluídos'), permite a estes de aceder a ajuda duma "rede humana" altamente capacitada, cujo funcionamento consiste em satisfazer o pedido de ajuda assumindo-o como próprio (‘solidário') e como um desafio científico que deve ser resolvido. Esta inter-comunicação tem um impacto social e pastoral enorme já que restabelece os vínculos comunicativos entre os ‘protagonistas' das trocas tecnológicas e os que têm sido injustamente relegados à mera condição de espectadores. A profundidade da troca é ainda maior dado que sendo a atitude do membro da rede verdadeira "caridade" cristã (revive claramente a parábola do ‘Bom Samaritano') e compartilhando seu conhecimento sobre o tema com o prejudicado, doa a este último elementos teóricos e práticos que lhe ajuda a crescer na defesa dos seus direitos (a aumentar sua ‘corresponsabilidade').

Além do mais, com sua própria natureza e dinâmica, o crescimento destas "Redes Pastorais" conduz necessária e paulatinamente à modificação prática das estruturas sociais injustas ("estruturas de pecado") já que estas impedem o fluxo natural da informação e ajuda, com a vantagem adicional de serem realizadas por cristãos comprometidos e demais "homens de boa vontade" que desenvolvem suas tarefas dentro dessas mesmas estruturas.

Assim estas "redes humanas" que utilizam o conhecimento como elemento solidário e evangelizador geram a dinâmica fascinante de incorporar a "caridade cristã" à eficiência (estabelecida nos âmbitos de construção da sociedade) e de agregar alta eficiência às tarefas caritativas.

Outro elemento crucial é que o conhecimento se " globalizou " e é isso que as redes começaram a fazer através de contatos (telefônicos, por fax ou e-mail, via internet) com colegas de todo o mundo. Assim cremos que na missão de "Globalizar a Solidariedade" a que estamos chamados como membros da Igreja, as Redes Solidárias deverão transformar-se num instrumento fundamental nesse objetivo.


CAMINHO DESENVOLVIDO PELAS REDES SOLIDÁRIAS

Rede de Saúde

Iniciou-se em março de 1995 com a adesão de 40 profissionais da medicina da cidade de Buenos Aires que aderiram aos objetivos presentes no folheto de divulgação e que preencheram a ficha de inscrição, a qual foi incorporada a uma base de dados que foi devolvida aos membros aderentes em forma de disquete, por e-mail ou em caso de não possuir computador, em forma de folheto com a mesma informação, organizada por especialidades.

Dado que estas redes devem se integrar naturalmente ao trabalho das pastorais específicas, no caso da saúde, isto aconteceu no II Encontro Nacional da Pastoral da Saúde (organizado pela Comissão Episcopal respectiva) em agosto de 19995.

No final desse ano, já havia 300 profissionais inscritos em 10 províncias. A Rede tem crescido de tal maneira que se duplica a cada 6, 7 meses.

Este crescimento permitiu que em 1996 existisse em todo país, estruturada em regiões sanitárias (símiles às Regiões Eclesiásticas) e com coordenadores leigos diocesanos (cuja função diretiva exige que sejam designados pelo Bispo local).

Assim, de cada membro da rede, em qualquer lugar do país, tem os dados que todos os outros membros da Região para comunicar-se e trabalhar solidariamente. Se não consegue resolver o problema de seu paciente pode recorrer a seu respectivo coordenador que pode ter acesso (via telefone, fax o e-mail) aos dados do resto da Rede a nível nacional.

Hoje, com mais de 3000 mil profissionais da saúde trabalhando integrados em todo o país e intercomunicados, é possível solucionar um mínimo de 100 a 150 casos diários de problemas médicos de pacientes que não encontraram solução no sistema convencional de atendimento.

Naturalmente, além disso, se incorporaram serviços adicionais como uma Equipe de Recursos (com uma linha telefônica habilitada para esse fim durante 24 horas por dia) cuja função é facilitar os trâmites e/ou conseguir materiais médicos (próteses, marca-passos, etc.) e/ou estudos ou intervenções cirúrgicas de alta complexidade (tomografias computadorizadas, cirurgia cardíaca, transplantes, etc.) sem querer substituir os órgãos oficiais, mas com um claro critério de subsídio, encontrar soluções quando os primeiros não podem encontrá-las.

Assim, com dois anos e meio de trabalho, esta Rede já se constituiu na experiência eclesial da saúde mais importante da história.


Rede da Criança e Adolescência

.Fruto dum tralho comum entre o Departamento de Leigos e o Secretariado Permanente para a Família, se constituiu a nível nacional em outubro de 1995, com a adesão de 420 instituições que trabalham no campo (cristãos ou não) que aceitaram os objetivos e aceitaram serem cadastradas para que seus dados fossem acrescentados num programa informático especial ao qual todas elas podem ter acesso para poderem ajudar-se. Em 1996 a Rede se estendeu com a adesão de dezenas de Juizados de Menores em todo o país, multiplicando a experiência na Argentina dum trabalho comum e interativo entre as instituições privadas e os juizados.

No Congresso Nacional da Criança realizado em 3 de setembro de 1997 se apresentaram 776 instituições (com mais de 1200 membros) aderidas e com seus dados atualizados a este ano, existindo além do mais, centros com pessoal especializado, distribuídos por todo o país, disponíveis para resolver problemas que escapem às instituições.

Hoje a base de dados informatizada conta com 941 instituições e mais 900 fichas que proximamente serão inseridas. É do nosso conhecimento que as instituições católicas que trabalham na área são cerca de 3000 em todo o território nacional e nosso interesse maior é que a curto prazo sejam cadastradas junto à base para se distribuir aos delegados diocesanos da área, dos quais recebemos as novas fichas.

A importância desta Rede quando se conhece que é a única do seu tipo (confessional ou não) que funciona na Argentina.


Rede de Comunicação Social

Com o mesmo espírito de trabalho, em novembro de 1996, se iniciou, por ocasião dum Congresso Nacional de Comunicadores, esta experiência, que conseguiu a adesão de mais de 350 jornalistas de diversos meios e de todo o país.

A Comissão Episcopal dos Meios de Comunicação tem como objetivo para 1998 conseguir que toda a comunicação pessoal, como também as mensagem a difundir pelos aderentes se realize via internet, aproveitando o acesso que os Meios de Comunicação têm a esta interessante via de comunicação.

Esta experiência será muito útil para as demais redes.


Outras Redes

Dado o florescer destas experiências, também em 1997 se constituíram equipes promotoras, cuja missão é conseguir constituir a nível nacional, Redes Solidárias de:

Orientadores de Educação – Inclui Psicologia e Pedagogia

Paternidade Responsável

Educadores

Deficientes Físicos

Educação para o Amor

Vivência

Toxicodependência

Apoio a Empreendimentos Sociais

Estas duas últimas começaram um trabalho de divulgação pedindo a colaboração da Caritas Argentina, o que aumenta suas possibilidades de expansão e capacidade solidária.

Para outras informações entre em contato com o Departamento de Leigos:
Suipacha 1034, 2o. Piso, C.P. 1008
Tel./Fax (54-11) 4394-6170

E-Mail: redes@deplai.org.ar

http://www.deplai.org.ar/redes.html

 


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Ignacio Alonso Alomá